terça-feira, 25 de outubro de 2011

Linhas pictóricas...Portugal

....a fuga 

....a serenidade do momento

....o suco apetecido

...o balançar para o ocaso

....o sempre lá

...a harmonia saudosa

.....pôr do sol sempre houve: aqui, ali, acolá...

....mar das minhas dores...

"Viajar, perder países"

sábado, 8 de outubro de 2011

A tartaruga






As sombras provocadas pelas pedras que ladeiam o passeio marginal e a sua possível descodificação.
Figuras inusitadas, provocantes, desencadeadoras de pensamentos que desencadeiam arrepios aos passantes. São horas matinais, horas onze  de um dia solarengo que se antevê lindo apesar do ventinho que, sorrateiramente, nos penetra as roupas em carícias gostosas. Fui até ao limite do querer do corpo, este que teima em não aceitar o que lhe impõem. Refrescar a mente leva-me a aceitar o que há pouco parecia impossível.
Resolvo descer, cuidadosamente, os pedregulhos que me separam das areias finas da praia, deixando lá para cima de mim o forte, sentinela empedernida, porém  orgulhosa do seu passado, passado que foge, que pouco parece querer dizer aos milhares de veraneantes mais preocupados com o facto de puderem usufruir de um dia mais ao menos bem passado, se possível, esparramados no extenso areal.
Sem quase dar conta,eis-me na praia a conversar com um desconhecido que teimava ter visto, ainda agora, uma  tartaruga gigante a tentar chegar à praia. Incrédula,respondi-lhe que, de certo, estava com visões. Como eu teimava prosseguir a minha caminhada, voltou-se para trás, agarrou-me pelo braço, e bradou - «Ali!! Não vê ali uma tartaruga? É, é  um a tartaruga-pedra ou uma pedra-tartaruga. Como queira!»
«Efectivamente! É uma tartaruga. Nunca reparei nesta pedra!! Hoje há maré baixa, e ela vê-se lindamente!»
O meu interlocutor já se fora, deixando-me com as minhas cogitações, os meus solilóquios.
Sentei-me, sem mesmo querer, em cima do dorso da inesperada criatura e esta pareceu esboçar um leve movimento com a cabeça. Esta ilusão fez-me pensar no quanto as suas entranhas petrificadas teriam para me contar!
Mas, instantes passados, eis que uma catrefa de garotos invade o meu espaço, aninhando-se em redor desta tartaruga-pedra, qual palco de tantas vidas, de tantas histórias!

Luisete Baptista

sábado, 24 de setembro de 2011

Linhas poéticas...Portugal

   
 É pecado
 Uma criança ter sono
                         Sem nada para dormir
                         É pecado
                         Uma criança ter fome
                         Sem nada para comer
                          É criança ter sede
                          Sem nada para beber
                          É pecado
                          Uma criança pedir uma flor
                          E darem-lhe um açoite
                          É pecado
                          Uma criança sorrir
                          E virarem-lhe as costas
                          É pecado
                          Uma criança pedir um rouxinol
                          E darem-lhe uma pedra
                          É pecado
                          Uma criança ter frio
                          Sem nada para agasalhar
                          É pecado
                          Uma criança gritar
                          E os outros sorrirem
                          É pecado
                          Uma criança ter medo
                          E com ela gozarem
                          É pecado
                          Uma criança pedir um afago
                          E darem-lhe indiferença
                          É pecado
                          Uma criança pedir mais
                          E darem-lhe menos
                          É pecado
                          Uma criança pedir a lua
                          E darem-lhe nada
                          É pecado
                          Uma criança...
                          É pecado
                          Uma criança amar
   E não ser amada 


                                          Luisete Baptista

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Um chá pro meu amor...

Você me sugere chá de camomila
Mamãe insiste no chá de hortelã
Chá de boldo é o melhor, opina a amiga
Cunhadinha prepara um chá de maçã

Pra curar a tristeza, a saudade e a dor
Trazendo benefícios pro cabelo e pra pele
Tira toda ansiedade e até mau humor
Ouça bem o que diz, sua flor Mirielle

Vou dizendo bem baixinho o que deves tomar
Chimarrão não adianta, meu bem não se engane
O melhor chá que existe pra você, vou falar
Tome todos os dias, doses de Cha rlyane

                                Charlyane     Mirielle


                                     17/01/2007






CAIXA DE CHÁ EM MADEIRA ( técnica mista)
                                   

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Linhas poéticas...Portugal

                             Dor que viaja
                             Percorre o meu ser
                             Lança-se no espaço
                             Paira em Beirute
                             E em Chicago
                             Destrói as flores que brotam
                             No jardim duma esquina
                             De uma qualquer cidade
                             Dor que viaja
                             Percorre o meu ser
                             Confunde-se com a vida
                             É rainha
                             É fada
                             É dor universal.
                                                                    Luisete Baptista
                                                                                        1983


Óleo sobre tela
                              
            Luísa não é Luísa
É Ela, Mulher
Mulher

Vai à Lua
Percorre as ruas
Encontra a angústia do tempo
Barafusta o quotidiano
Alimenta a esperança
Trabalha o sustento
Transforma a dor
Ama os filhos
Grita a raiva
Destrói o que constrói

Luísa não é Luísa
É ela
Ela, Mulher
Mulher!
Luisete Baptista
    2004
                                                                 

domingo, 28 de agosto de 2011

Pensamentos

“Chaque jour nous laissons une partie de nous-mêmes en chemin.”
                                                                                         

                                                                                              Hamiel