Na
rota dos ecos do tempo perdido
Por mais que se conheçam os factos narrados, encontrar
a estrutura interna adequada para esta obra foi tarefa de gigante, porque havia
muito a ouvir, muito a reter, muito a eliminar para, no final, me decidir por
este texto escrito.
A narradora, embora omnisciente, deixa para as duas
personagens principais, a mãe Lena e a filha, o trabalho principal de,
analepticamente, encontrarem a rota dos ecos do tempo perdido. Ambas fizeram
parte desse passado longínquo, umas vezes vivido em comum, outras em separado.
Servindo-se da memória e de outros auxiliares como as
cartas, os diários, os recortes de jornais, a poesia, outras pequenas narrativas,
documentos autênticos, as duas vão revelando segredos mais ao menos esquecidos;
vão deixando rumores do que ficou desse tempo já fossilizado; vão trocando
memórias comuns; vão lamentar os vestígios negativos desse itinerário; vão
tentar apaziguar-se, na última rota.
É uma busca constante, aquela que é operada por estas
duas mulheres; é uma tentativa, quase até ao limite da saturação, de
encontrarem migalhas desses ecos do tempo passado; é uma viagem ao tempo ido; é
um querer obcecado de esbarrarem com essas ressonâncias.
Há, nesta obra, partes ficcionadas, mas os factos e os
tempos contados são verdadeiros.
É uma estória de ficção baseada em histórias reais.
A estrutura
narrativa assenta em três rotas fundamentais, havendo ecos desse tempo vivido,
desse tempo bem longínquo, em cada uma delas.
Três rotas; três continentes; três países; três personagens
(Lena, a filha, a narradora) para narrarem muitas circunstâncias.
Texto de Maria Luisete Souto Cardoso Baptista