terça-feira, 2 de agosto de 2016

Na rota dos ecos do tempo perdido
Por mais que se conheçam os factos narrados, encontrar a estrutura interna adequada para esta obra foi tarefa de gigante, porque havia muito a ouvir, muito a reter, muito a eliminar para, no final, me decidir por este texto escrito.
A narradora, embora omnisciente, deixa para as duas personagens principais, a mãe Lena e a filha, o trabalho principal de, analepticamente, encontrarem a rota dos ecos do tempo perdido. Ambas fizeram parte desse passado longínquo, umas vezes vivido em comum, outras em separado.
Servindo-se da memória e de outros auxiliares como as cartas, os diários, os recortes de jornais, a poesia, outras pequenas narrativas, documentos autênticos, as duas vão revelando segredos mais ao menos esquecidos; vão deixando rumores do que ficou desse tempo já fossilizado; vão trocando memórias comuns; vão lamentar os vestígios negativos desse itinerário; vão tentar apaziguar-se, na última rota.
É uma busca constante, aquela que é operada por estas duas mulheres; é uma tentativa, quase até ao limite da saturação, de encontrarem migalhas desses ecos do tempo passado; é uma viagem ao tempo ido; é um querer obcecado de esbarrarem com essas ressonâncias.
Há, nesta obra, partes ficcionadas, mas os factos e os tempos contados são verdadeiros.
É uma estória de ficção baseada em histórias reais.
 A estrutura narrativa assenta em três rotas fundamentais, havendo ecos desse tempo vivido, desse tempo bem longínquo, em cada uma delas.

Três rotas; três continentes; três países; três personagens (Lena, a filha, a narradora) para narrarem muitas circunstâncias.

Texto de Maria Luisete Souto Cardoso Baptista

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