terça-feira, 29 de dezembro de 2020

VIAJAR!

 

Viajar! Viajar! Viajar!
Partindo, deixando-me levar pela inspiração do poema de Fernando Pessoa, Viajar! Perder países, datado de 1933, onde a noção de viagem presente, no primeiro verso, está associada à ideia de procura para o sujeito poético, porque viajar não implica ganhar países, ganhar lugares na rota da sua vida; significa, antes, procura de si mesmo, encontro consigo mesmo!
No entanto, o poema parte de uma ideia paradoxal de viagem, falando-se aqui de uma viagem permanente, de partidas constantes, na qual cada rosto de si mesmo encontrado é um lugar imediatamente perdido. Ou seja, trata-se de uma viagem permanente, uma procura e descoberta do ser que é sempre outro e não tem amarras a ninguém, nem a si mesmo!
Este ser constante, este ser sempre outro é o ser humano, em contínua viagem!
Este ser é cada um de nós, na sua loucura da procura incessante de outro eu, de outro alguém!
Este ser é um ser poético, um ser sem dimensão, não físico, não palpável!
Este ser é um outro ser, resultante da fusão entre o sujeito e o objeto, é uma estética nova, é uma estética subjetiva!
Este ser é, talvez, aquele ser que proclama pelo silencio, assaz parecido com Tácita, a musa pitagórica do silencio e da virtude! Aquela protege contra os perigos da inveja e das palavras maliciosas e que carregam uma energia negativa!
 Exclamações, dúvidas reiteradas pelo poeta, ao longo deste seu curto poema; exclamações sustentam o paradoxo deste edifício poético; exclamações percorrem o seu complexo pensamento; exclamações vincam o campo semântico dominante, o da viagem, o de viajar, o do VIAJANTE; exclamações alinham numa linguagem simples, mas assaz expressiva!
Este VIAJANTE, optou, hoje, por um mundo relembrado e cromático, através desta minha ROSA de PORCELANA, em aguarela, algures lá pelas terras do UIJE/ ANGOLA!
Este VIAJANTE, optou, hoje, por um mundo relembrado e cromático, através desta minha ROSA de PORCELANA, em aguarela, algures lá pelas terras do UIJE/ ANGOLA!
 
 
Luisete Baptista

De novo por aqui!

Estar ausente deste espaço, durante algum tempo, não significa tê-lo esquecido, abandonado, porque, como diz o ditado popular, vale mais tarde do que nunca !

... muita coisa aconteceu pelo mundo e pelo país...


O PAÍS

O que somos

O que escolhemos

O que amamos

O que detestamos

O que estamos sempre em desacordo com…

O que alvitrámos só maus agoiros a, para…

O que desejamos quanto pior melhor…

O que interrogamos porquê e para quê…

O que temos coragem de permanecer

O que adoramos

Quem está mal que se mude

Quem está mal que parta

Quem está mal que pare de amarfalhar

Quem está mal que se interrogue

Porquê?

Para quê?

Aqui estamos

Aqui ficamos na fluência do pensamento

Aqui ficamos na confluência da esperança

Aqui ficamos na certeza do AMANHÂ…


Texto de Maria Luisete Baptista

Figueira da Foz, 01 de setembro 2020

 

 

domingo, 14 de junho de 2020

Diarizando1…
Hoje, dia 17 de Março de 2020, pelas 15h.30, aqui estamos em reclusão voluntária, em quarentena para lutarmos contra um tal coronavírus desconhecido, até agora!
Hoje, aqui estamos, abraçando uma estranha solidariedade, a de sermos responsáveis pela nossa saúde, evitando sair, ir por aí!
Hoje, aqui estamos, aqui ficamos, desafiando hábitos adquiridos, enraizados-fazer tudo o que se queria, quando e como!
Hoje, aqui estamos, vivendo amarfanhados por uma inquietante informação que desliza, que baila perante os nossos olhos, através de todos os meios de comunicação de massa!
Hoje, aqui estamos, analisando cada estatística apresentada por especialistas ou não, tentando entender para onde nos levará a tal pandemia!
Hoje, aqui estamos, absorvendo inquietações próprias e alheias, de uns e de outros, aqui, ali e acolá!
Hoje, aqui estamos à espera de veredictos, de analises, de comparações com outros tempos pandémicos! E lá vamos nós, inevitavelmente, para outras duas datas cruciais nas nossas vidas: 1961 e 1975, Angola! Guerra! Sim, estamos em GUERRA com o tal vírus!
Maria Luisete Cardoso Baptista