VIAJAR!

Viajar! Viajar! Viajar!
Partindo, deixando-me levar pela inspiração do poema
de Fernando Pessoa, Viajar! Perder países, datado de 1933, onde a noção
de viagem presente, no primeiro verso, está associada à ideia de procura para o
sujeito poético, porque viajar não implica ganhar países, ganhar lugares na
rota da sua vida; significa, antes, procura de si mesmo, encontro consigo mesmo!
No entanto, o poema parte de uma ideia paradoxal de
viagem, falando-se aqui de uma viagem permanente, de partidas constantes, na
qual cada rosto de si mesmo encontrado é um lugar imediatamente perdido. Ou
seja, trata-se de uma viagem permanente, uma procura e descoberta do ser que é
sempre outro e não tem amarras a ninguém, nem a si mesmo!
Este ser constante, este ser sempre outro é o ser
humano, em contínua viagem!
Este ser é cada um de nós, na sua loucura da procura
incessante de outro eu, de outro alguém!
Este ser é um ser poético, um ser sem dimensão, não
físico, não palpável!
Este ser é um outro ser, resultante da fusão entre o
sujeito e o objeto, é uma estética nova, é uma estética subjetiva!
Este ser é, talvez,
aquele ser que proclama pelo silencio, assaz parecido com Tácita, a musa
pitagórica do silencio e da virtude! Aquela protege contra os perigos da
inveja e das palavras maliciosas e que carregam uma energia negativa!
Exclamações, dúvidas
reiteradas pelo poeta, ao longo deste seu curto poema; exclamações sustentam o
paradoxo deste edifício poético; exclamações percorrem o seu complexo
pensamento; exclamações vincam o campo semântico dominante, o da viagem, o de
viajar, o do VIAJANTE; exclamações alinham numa linguagem simples, mas assaz
expressiva!
Este VIAJANTE, optou, hoje, por um mundo relembrado e cromático, através desta
minha ROSA de PORCELANA, em aguarela, algures lá pelas terras do UIJE/ ANGOLA!
Este VIAJANTE, optou, hoje, por um mundo relembrado e cromático, através desta
minha ROSA de PORCELANA, em aguarela, algures lá pelas terras do UIJE/ ANGOLA!
Luisete Baptista
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