terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ENVOLVÊNCIAS






 M eu girassol castanho


U m par de dança descobre no
L imiar do pôr-do-sol
H ouve tamanhas



E NVOLVÊNCIAS






R odopios, voluteares…
…………………
…………………
………………
E NVOLVÊNCIAS


Luisete Baptista (Fev. 2012)


sábado, 18 de fevereiro de 2012

E o Amor?



Comprei água
Comprei vinho
Comprei o tudo que havia
Na loja do vendedor.
Só não comprei amor
Porque o amor não se vende
Nas esquinas, nos botequins
Nos espaços vazios, no tempo parado
Do coração humano que não ama.

Perguntaram-me o que comprei
Na loja do vendedor
Mandei-o lá ir
Para encontrar o que eu não encontrara
Ele foi
Encontrou os preços marcados
Nas coisas que havia para vender
Coisas e loisas que o homem traz para casa
Para consumir, destruir, abandonar.


E o Amor?
O Amor não se vende
Nas esquinas, nos botequins
Nos espaços vazios, no tempo parado
Do coração humano que não ama.


Maria Luisete Cardoso Baptista

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Pôr-do-sol


Pôr-do-sol
Sempre acontece
Aqui
Ali
Lá...

Pouco interessa

Outros houve
Outros ficaram
Outros bailam
Nas cores quentes
 Da aguarela
Da minha imaginação


Luisete Baptista





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Balada de Neve



Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.


                                                                                                         Augusto Gil

                                                           ACRÍLICO SOBRE PAPEL
                                                     ACRÍLICO SOBRE PAPEL

"Ensinaram-me as coisas importantes"


Ao longo de toda a minha prática pedagógica e do contacto directo com os alunos, descobri que o que os conduz, quase sempre, ao sucesso é a motivação, é o estarem motivados para aprenderem, para se aperfeiçoarem, para vencerem a inércia de um quotidiano tão cheio, tão preenchido por outros interesses, bem mais aliciantes. Teremos, pois, que transformar o estudo numa das fontes de motivação, criando condições que favoreçam essa necessidade de aprender, pois “ o aluno só se implica na situação educativa se for seu interesse pessoal atingir esse objectivo “.
            Segundo Ana Margarida Veiga Simão “ A Escola tem de promover uma nova atitude, ensinando procedimentos de ordem superior que permitam ao estudante elaborar e organizar os seus conhecimentos “ para que não mais haja um desfasamento entre o que se aprende e a vida, como acontece no poema de Jacinto de Magalhães:

Ensinaram-me as coisas importantes.
Que afinal o não eram.
Acumularam-me de conhecimentos.
De que ainda me liberto.
Ditaram-me nos cadernos de duas linhas.
Os exemplos que procuro não seguir.
Fizeram-me ler as histórias de santos, sábios e heróis.
Que eu não quero ser nem imitar.
Aprendi a geografia dos comboios.
Para viver na era dos aviões.
Soube de cor todas as constelações.
Que hoje se escondem no fumo das cidades.
Ensinaram-me a pescar nos rios e regatos.
Em que bóiam as garrafas de plástico.
Quando eu sabia tudo.
Atiraram-me para a vida, de que eu nada sabia.
E onde era tudo ao contrário do que aprendera.
Habituei-me a raciocinar pelo contrário.
Não era infeliz, era desarmado.
E tive, de aprender, de novo.
Tudo o que não me haviam ensinado.
E que eu quereria não ter aprendido.

            Verifica-se que este aprendiz não foi o “ verdadeiro actor do processo de ensino-aprendizagem ”. Nesta leitura do processo, urge que a educação formal promova nos alunos estratégias de auto-regulação da sua aprendizagem. Estas competências são consideradas fundamentais, não só para os alunos guiarem a própria progressão na escola educativa, mas também para assegurar a continuidade formativa após a sua saída do sistema educativo, promovendo que os alunos aprendam efectivamente a aprender (Zimmmerman e Shunk, 1998; Booekaerts et al., 2000).
            Ao apropriar-me de algumas leituras, sou levada a concluir que não só o aluno tem de mudar de atitude face ao seu percurso de aprendizagem, mas também os professores, a escola, a família, toda a comunidade educativa. O envolvimento é de todos para que todos possam contribuir para termos melhores alunos, mais capazes e aptos a resolverem questões pontuais relacionadas com as suas aprendizagens, com as suas tomadas de decisão.
            Poderá o Estudo Motivado ajudar nesta tarefa?




                                                                                              Luisete Baptista

PROFESSOR HOJE


É o animador vertical e horizontal da sala de aula.
É o despertador das consciências adormecidas, mas não mortas, dos que aprendem.
É o encorajador do processo ensino-aprendizagem, quando este tende a resvalar para o insucesso.
É o inovador, uma vez que introduz mudanças e inovações no sistema.
É o renovador, uma vez que insuflama algo de novo ao que já existe.
É o comunicador do novo discurso pedagógico.
É o criador de novas situações que levam ao despertar do espírito criativo dos alunos.
É o motivador, visto introduzir motivação no espaço-aula para que o processo ensino-aprendizagem caminhe alegremente.
É o artista, uma vez que transmite emoção no que ensina e transforma a sua disciplina
em prazer (aspecto lúdico).
É o jogador que estabelece com os outros regrais a cumprir.
É o que dialoga e estabelece com os alunos um diálogo criativo.
É o que questiona quando algo de diferente surge à sua volta.
É o que comunica conteúdos e esquemas operatórios.
É o facilitador de situações de aprendizagem.  
É o avaliador.
É um ser em transformação.
É ser e estar ...
                                                                                       Luisete Baptista