quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

"Ensinaram-me as coisas importantes"


Ao longo de toda a minha prática pedagógica e do contacto directo com os alunos, descobri que o que os conduz, quase sempre, ao sucesso é a motivação, é o estarem motivados para aprenderem, para se aperfeiçoarem, para vencerem a inércia de um quotidiano tão cheio, tão preenchido por outros interesses, bem mais aliciantes. Teremos, pois, que transformar o estudo numa das fontes de motivação, criando condições que favoreçam essa necessidade de aprender, pois “ o aluno só se implica na situação educativa se for seu interesse pessoal atingir esse objectivo “.
            Segundo Ana Margarida Veiga Simão “ A Escola tem de promover uma nova atitude, ensinando procedimentos de ordem superior que permitam ao estudante elaborar e organizar os seus conhecimentos “ para que não mais haja um desfasamento entre o que se aprende e a vida, como acontece no poema de Jacinto de Magalhães:

Ensinaram-me as coisas importantes.
Que afinal o não eram.
Acumularam-me de conhecimentos.
De que ainda me liberto.
Ditaram-me nos cadernos de duas linhas.
Os exemplos que procuro não seguir.
Fizeram-me ler as histórias de santos, sábios e heróis.
Que eu não quero ser nem imitar.
Aprendi a geografia dos comboios.
Para viver na era dos aviões.
Soube de cor todas as constelações.
Que hoje se escondem no fumo das cidades.
Ensinaram-me a pescar nos rios e regatos.
Em que bóiam as garrafas de plástico.
Quando eu sabia tudo.
Atiraram-me para a vida, de que eu nada sabia.
E onde era tudo ao contrário do que aprendera.
Habituei-me a raciocinar pelo contrário.
Não era infeliz, era desarmado.
E tive, de aprender, de novo.
Tudo o que não me haviam ensinado.
E que eu quereria não ter aprendido.

            Verifica-se que este aprendiz não foi o “ verdadeiro actor do processo de ensino-aprendizagem ”. Nesta leitura do processo, urge que a educação formal promova nos alunos estratégias de auto-regulação da sua aprendizagem. Estas competências são consideradas fundamentais, não só para os alunos guiarem a própria progressão na escola educativa, mas também para assegurar a continuidade formativa após a sua saída do sistema educativo, promovendo que os alunos aprendam efectivamente a aprender (Zimmmerman e Shunk, 1998; Booekaerts et al., 2000).
            Ao apropriar-me de algumas leituras, sou levada a concluir que não só o aluno tem de mudar de atitude face ao seu percurso de aprendizagem, mas também os professores, a escola, a família, toda a comunidade educativa. O envolvimento é de todos para que todos possam contribuir para termos melhores alunos, mais capazes e aptos a resolverem questões pontuais relacionadas com as suas aprendizagens, com as suas tomadas de decisão.
            Poderá o Estudo Motivado ajudar nesta tarefa?




                                                                                              Luisete Baptista

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