segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ainda a paixão pela pintura...

ENCÁUSTICA SOBRE PAPEL

ENCÁUSTICA SOBRE VIDRO

ENCÁUSTICA SOBRE VIDRO

ENCÁUSTICA SOBRE MADEIRA

ENCÁUSTICA SOBRE TELA


                                                             ENCÁUSTICA SOBRE PAPEL
ENCÁUSTICA SOBRE TELA

ENCÁUSTICA SOBRE TELA

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Linhas pictóricas...Portugal

....a fuga 

....a serenidade do momento

....o suco apetecido

...o balançar para o ocaso

....o sempre lá

...a harmonia saudosa

.....pôr do sol sempre houve: aqui, ali, acolá...

....mar das minhas dores...

"Viajar, perder países"

sábado, 8 de outubro de 2011

A tartaruga






As sombras provocadas pelas pedras que ladeiam o passeio marginal e a sua possível descodificação.
Figuras inusitadas, provocantes, desencadeadoras de pensamentos que desencadeiam arrepios aos passantes. São horas matinais, horas onze  de um dia solarengo que se antevê lindo apesar do ventinho que, sorrateiramente, nos penetra as roupas em carícias gostosas. Fui até ao limite do querer do corpo, este que teima em não aceitar o que lhe impõem. Refrescar a mente leva-me a aceitar o que há pouco parecia impossível.
Resolvo descer, cuidadosamente, os pedregulhos que me separam das areias finas da praia, deixando lá para cima de mim o forte, sentinela empedernida, porém  orgulhosa do seu passado, passado que foge, que pouco parece querer dizer aos milhares de veraneantes mais preocupados com o facto de puderem usufruir de um dia mais ao menos bem passado, se possível, esparramados no extenso areal.
Sem quase dar conta,eis-me na praia a conversar com um desconhecido que teimava ter visto, ainda agora, uma  tartaruga gigante a tentar chegar à praia. Incrédula,respondi-lhe que, de certo, estava com visões. Como eu teimava prosseguir a minha caminhada, voltou-se para trás, agarrou-me pelo braço, e bradou - «Ali!! Não vê ali uma tartaruga? É, é  um a tartaruga-pedra ou uma pedra-tartaruga. Como queira!»
«Efectivamente! É uma tartaruga. Nunca reparei nesta pedra!! Hoje há maré baixa, e ela vê-se lindamente!»
O meu interlocutor já se fora, deixando-me com as minhas cogitações, os meus solilóquios.
Sentei-me, sem mesmo querer, em cima do dorso da inesperada criatura e esta pareceu esboçar um leve movimento com a cabeça. Esta ilusão fez-me pensar no quanto as suas entranhas petrificadas teriam para me contar!
Mas, instantes passados, eis que uma catrefa de garotos invade o meu espaço, aninhando-se em redor desta tartaruga-pedra, qual palco de tantas vidas, de tantas histórias!

Luisete Baptista

sábado, 24 de setembro de 2011

Linhas poéticas...Portugal

   
 É pecado
 Uma criança ter sono
                         Sem nada para dormir
                         É pecado
                         Uma criança ter fome
                         Sem nada para comer
                          É criança ter sede
                          Sem nada para beber
                          É pecado
                          Uma criança pedir uma flor
                          E darem-lhe um açoite
                          É pecado
                          Uma criança sorrir
                          E virarem-lhe as costas
                          É pecado
                          Uma criança pedir um rouxinol
                          E darem-lhe uma pedra
                          É pecado
                          Uma criança ter frio
                          Sem nada para agasalhar
                          É pecado
                          Uma criança gritar
                          E os outros sorrirem
                          É pecado
                          Uma criança ter medo
                          E com ela gozarem
                          É pecado
                          Uma criança pedir um afago
                          E darem-lhe indiferença
                          É pecado
                          Uma criança pedir mais
                          E darem-lhe menos
                          É pecado
                          Uma criança pedir a lua
                          E darem-lhe nada
                          É pecado
                          Uma criança...
                          É pecado
                          Uma criança amar
   E não ser amada 


                                          Luisete Baptista

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Um chá pro meu amor...

Você me sugere chá de camomila
Mamãe insiste no chá de hortelã
Chá de boldo é o melhor, opina a amiga
Cunhadinha prepara um chá de maçã

Pra curar a tristeza, a saudade e a dor
Trazendo benefícios pro cabelo e pra pele
Tira toda ansiedade e até mau humor
Ouça bem o que diz, sua flor Mirielle

Vou dizendo bem baixinho o que deves tomar
Chimarrão não adianta, meu bem não se engane
O melhor chá que existe pra você, vou falar
Tome todos os dias, doses de Cha rlyane

                                Charlyane     Mirielle


                                     17/01/2007






CAIXA DE CHÁ EM MADEIRA ( técnica mista)
                                   

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Linhas poéticas...Portugal

                             Dor que viaja
                             Percorre o meu ser
                             Lança-se no espaço
                             Paira em Beirute
                             E em Chicago
                             Destrói as flores que brotam
                             No jardim duma esquina
                             De uma qualquer cidade
                             Dor que viaja
                             Percorre o meu ser
                             Confunde-se com a vida
                             É rainha
                             É fada
                             É dor universal.
                                                                    Luisete Baptista
                                                                                        1983


Óleo sobre tela
                              
            Luísa não é Luísa
É Ela, Mulher
Mulher

Vai à Lua
Percorre as ruas
Encontra a angústia do tempo
Barafusta o quotidiano
Alimenta a esperança
Trabalha o sustento
Transforma a dor
Ama os filhos
Grita a raiva
Destrói o que constrói

Luísa não é Luísa
É ela
Ela, Mulher
Mulher!
Luisete Baptista
    2004
                                                                 

domingo, 28 de agosto de 2011

Pensamentos

“Chaque jour nous laissons une partie de nous-mêmes en chemin.”
                                                                                         

                                                                                              Hamiel

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

PEDAÇOS DA MINHA INDIGNAÇÂO


Acrílico sobre pedaços de tela

                    
 Focus é um vocábulo de origem latina, mas, graças à sua evolução, rapidamente se transformou em fogo, em feu, em fuego, em fire, em feuer, em fuoco… 0 Fogo acumula, na sua essência, uma dicotomia que o faz bailar entre o bem e mal.
O Fogo foi o maior conseguimento do Homem na pré-história: o homem teve mesmo de fazer uma aprendizagem quanto à sua força e correcta utilização, já que o vamos encontrar na protecção contra os predadores, na caça, no lar como fonte de aquecimento ou na cozinha, servindo para cozinhar os alimentos para que estes se tornassem mais saborosos e apetitosos. O fogo é uma das mais brilhantes descobertas do ser humano e indispensável ao desenvolvimento. Mas também foi e continua a ser usado como força aniquiladora. São loucos brasidos que se alastram por este nosso minúsculo torrão natal, neste Agosto de 2010, 2011... Quase não nos dão descanso, de tão repetidos e proliferantes. É a Norte, é a Sul, é a Este, é a Oeste, é em todos os pontos cardeais…! Este Portugal arde, continua a arder sem que se encontre uma solução radical para tudo aquilo ou aquele que possa estar na origem, na base do incêndio. Este é o Rei-Sol deste Verão, mas os reis também se abatem, como as indefesas árvores!
0 Fogo acumula, na sua essência, uma dicotomia que o faz bailar entre o bem e mal. Saibamos, ao menos, ter a 
capacidade de o utilizar na sua dimensão positiva, enquanto factor de desenvolvimento e não de destruição.
                                                              Luisete Baptista



domingo, 21 de agosto de 2011

Os Sete Magníficos (fim)



7
«Chegou a hora, caro amigo, de não esturrar mais a sua paciência, porque nós, OS SETE, aqui estamos para desvendar o enigma do nosso percurso:
-          Ponto A - Rotunda do Limonete;
-          Ponto B - Praia de Buarcos;
-          Ponto C – Pedra Grande do mar;
-          Ponto D - Cabo Mondego;
-          Ponto E - Praia de Quiaios;
-          Ponto F - Café em Quiaios;
-          Ponto G - Vertente Sul da serra da Boa Viagem;
-          Ponto H - No meio da serra;
-          Ponto A.- Rotunda do Limonete;

Mais saberá, se aproveitar as próximas férias, aceitando a nossa companhia como guias.»

Fim

Maria Luisete Baptista

Os Sete Magníficos...(continuação)


6.
A tarefa cabe, agora, a cada leitor, servindo-se das informações que o texto lhe foi dando. Talvez tenha mesmo de ler, reler as aventuras dos sete rapazes!
Tente!
Não desista!
Se já esgotou a sua capacidade de imaginação ou mesmo aquela pequenina dose de paciência que cada mortal é de bom-tom possuir, então, peça ajuda a um dos SETE e terá o problema resolvido.

sábado, 20 de agosto de 2011

Os Sete Magníficos...(continuação)


5.

            Foram desembocar no ponto A, naquele que outrora fora chamado de quatro caminhos, mas agora dá pelo nome pomposo de Rotunda do Limonete, em honra da lenda de um cavaleiro e de uma moura encantada, estória pertencente às gentes de Tavarede.Chegaram gastos, cansados, porém felizes.
Fecharam o círculo.
Chegaram gastos, cansados, porém felizes.
Fecharam o círculo.
Falta desvendar o percurso, substituindo as letras pelos nomes respectivos.

Os Sete Magníficos...(continuação)


4



O cansaço e o sono começavam a fazer com que o grupo entrasse numa sonolência nada recomendável, porque ainda havia muita noite para passar e o combinado era ninguém adormecer.
            Depois de um intervalo silencioso, resolveram que cada um contasse a história do seu nome de guerra, aquele pelo qual era conhecido pela sua tribo, visto que as adivinhas tinham cumprido o seu papel.
            O Um contou que chamavam-no assim, porque na escola, durante as aulas de todas as disciplinas ele, embora aparentemente distraído, apanhava todos e as suas matérias estavam sempre em dia.
            O Dois alegrava sempre as manhãs tristes de todos, nem que tivesse de sorrir por dois ou mesmo pelo grupo.
            O Três, evidentemente, prendia-se com a sua malandrice exagerada, com uma preguiça que fazia parte dele, que o invadia, que chegava mesmo a visitar os seus sonhos, aconselhando-o a permanecer na cama para lá do razoável. Quando entrava na sala de aula, não lia, treslia.
            O Quatro era aquele rapaz divertido, sempre pronto a equilibrar-se, mesmo nos momentos mais embaraçosos da sua vida e na dos outros. 
            O Cinco recordou que, como era tão distraído e quase nenhuma massa cinzenta parecia possuir, os colegas gostavam de o comparar a um cinto.
            O Seis, porque estava sempre pronto a resolver todos os enigmas, todos os problemas.
            O Sete, de tão ágil e agitado que era que os comparsas nunca sabiam onde ele estava. Era veloz em tudo: no pensamento e na corrida.
O sol começava a raiar no horizonte e os SETE deram um salto de um tal tamanho que, quase de imediato se levantaram, acomodaram as coisas dispersas e toca a andar à procura de uma saída daquele labirinto de giestas e muitas coisas mais que não conheciam.
O nevoeiro fora-se e a angústia da noite transformara-se em esperança.
Não foi preciso percorrer uma grande distância, para que dessem conta que estavam muito próximos de uma das estradas asfaltadas que ligava Quiaios à Serra da Boa Viagem.
Os pais tinham pernoitado, no final de um canavial, com o intuito de os interceptarem, logo de manhã, no exacto momento da saída da verdadeira armadilha em que tinham caído.
            Embora atordoados pelo que de muito excitante lhes acontecera, nada deixaram transparecer, pois dos fracos não reza a história. Eles eram, sim, vencedores.     











sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Os Sete Magníficos...(continuação)


2.


Alguém propôs que nada melhor do que um gelado para refrescar as ideias, depois daquele susto. Em jeito de algazarra, rodearam a barraca dos ditos gelados e cada um se deliciou com o seu preferido.
De repente, um engasgou-se com um pau do gelado, tendo sido socorrido pelo enfermeiro do posto de socorro, improvisado na praia.
Só asneiras!
Só sustos!
Apesar de serem cinco horas da tarde e de o sol continuar quentinho, a pressa, para fazerem a viagem de regresso, não era muita, já que este primeiro dia de férias deveria ser saboreado até à exaustão. Eis quando um nevoeiro intenso e cerrado se abateu sobre toda a região, deixando-os desorientados, pois havia ainda muito caminho a fazer. Conseguiram reunir-se no ponto F, tentando delinear uma estratégia de fuga rápida.
Depois de verificarem que a pouca visibilidade viera para ficar, reuniram todos os seus bagulhos e orientaram-se para regressar, em direcção ao ponto A, o tal de onde tinham partido, subindo a serra novamente.Entre preocupados e desejosos de mais aventura, embrenharam-se pela encosta acima. De um segundo para o outro, os carreiros florestais deixaram de se ver, o nevoeiro, de tão intenso que era, antecipou a noite e os SETE estavam sozinhos, sem bússola que os orientasse.
Foi neste exacto instante, que o chefe decidiu ordenar ao Sete que se colocasse no início da fila, tirasse o único foco que havia e tentasse abrir caminho para que passassem. Ninguém ousava dizer o que quer que fosse, pois as suas cabeças pareciam, também elas, enevoadas.Monte, mais monte, escarpa, mais escarpa; parecia não saírem do mesmo lugar. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Os Sete Magníficos...(continuação)


Continuaram até ao ponto D.

Dobraram-no, sem qualquer dificuldade. Num ápice, estavam do outro lado da serra e bem mais próximos do mar imenso que parecia assustar os ditos menos valentes. Só que se esqueceram que, lentamente, a maré foi subindo, enquanto eles se deliciavam com as mais diversas coisitas que se lhe deparavam. Cada um ia metendo na sacola o que mais lhe agradava e esta começava a pesar como chumbo.
Eis que, de repente, o mar marca a sua presença, batendo fortemente nas fragas, impedindo o grupo de prosseguir. Passado que está o instante de desilusão, o chefe  reúne  todos, e, unanimemente, resolveu alterar a rota, inicialmente traçada.
«Este gigante não podemos vencer, por isso há que tomar outra direcção. Qual?»
«Nadando...»
«Um vai primeiro averiguar o que está para lá das águas revoltas e, depois, os outros...»
«Claro, a serra, a serra é a nossa salvação!»
O ponto E ficava, agora, muito longe, pois tudo se invertera. Deram início à escalada da chamada serra da BOA VIAGEM. Primeiro tiveram que subir a verdadeiros pedregulhos que até pareciam ter sido postos ali com o objectivo de dificultar o acesso à mesma. Eles insinuavam-se como defensores daqueles espaços a todos os que tentavam por ali entrar ou passar.
Como estava difícil transpor tudo aquilo! Como estavam pesadas as suas mochilas! De repente, olharam uns para os outros e lançaram ao mar tudo aquilo que haviam recolhido nas areias da praia. A fome apertava e as forças começavam a faltar.

Uma vez que tinham alcançado uma espécie de varandim rochoso, mas com espaço suficiente, pararam e resolveram comer do que cada um trazia. Que banquete! O mar, visto daquele local fragoso, parecia um manto matizado de múltiplos azuis e salpicado de branco. Os mais afoitos punham à prova a sua coragem, subindo, descendo, num corropio louco.
Paulatinamente, foram subindo as ravinas da serra até alcançarem o topo da montanha. O horizonte marítimo continuava limpo, mas cada vez mais longe, porque tinham-se afastado. Agora, havia que recuperar o tempo perdido e descer até encontrarem o ponto E. Prosseguiram, durante algum tempo, pela estrada dita asfaltada, mas tão esburacada! Mais buraco, menos buraco; mais torcidela de pé, menos torcidela de pé, lá chegaram, já a tarde ia quase a meio.
«Eis-nos chegados!»
«Ao mar!





 E todos, sem excepção, se lançaram numa correria desenfreada em direcção às águas revoltas daquele mar que os recebeu com todo o seu carinho. De braçada em braçada, foram indo até ao mais longe que cada um se permitia. Loucos mergulhos!
Afinal, tinha havido uma excepção, sem que o chefe ou qualquer dos rapazes tivesse reparado que apenas seis cabecitas apareciam à tona da água.
«O outro!?»          
«Onde está?»
E o outro não estava ali.
«O que lhe terá acontecido?»
Bom, rapidamente, deixaram o banho e, todos de cara carrancuda e visivelmente preocupados, precipitaram-se numa procura louca pela praia, pelas ruas, pelos becos...
Ninguém encontrou ninguém. Sem solução à vista, decidiram regressar ao sítio inicial, ao tal ponto E, e, qual não foi o espanto de todos, quando, olhando em direcção ao local onde tinham estado, verificaram que havia uma construção enorme, feita em areia, em forma de muralha de protecção. Aproximaram-se e o que procuravam encontraram.
Aliviados, gritaram - «Raios, quem procura sempre alcança, mas o que estás tu aí a fazer?»
«Como tenho medo do mar, estendi-me aqui, mas esqueci-me das horas».
«Bom...pensávamos que, como és o mais veloz de todos, tivesses cavalgado pelas ondas. Afinal...!»
«Peço desculpa. O miúdo Sete, o mais veloz do que uma seta, não voltará a decepcionar-vos. Prometo».
            Por pouco que a harmonia reinante se ia quebrando.

Os Sete Magníficos...(continuação)