quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Os Sete Magníficos...(continuação)


Continuaram até ao ponto D.

Dobraram-no, sem qualquer dificuldade. Num ápice, estavam do outro lado da serra e bem mais próximos do mar imenso que parecia assustar os ditos menos valentes. Só que se esqueceram que, lentamente, a maré foi subindo, enquanto eles se deliciavam com as mais diversas coisitas que se lhe deparavam. Cada um ia metendo na sacola o que mais lhe agradava e esta começava a pesar como chumbo.
Eis que, de repente, o mar marca a sua presença, batendo fortemente nas fragas, impedindo o grupo de prosseguir. Passado que está o instante de desilusão, o chefe  reúne  todos, e, unanimemente, resolveu alterar a rota, inicialmente traçada.
«Este gigante não podemos vencer, por isso há que tomar outra direcção. Qual?»
«Nadando...»
«Um vai primeiro averiguar o que está para lá das águas revoltas e, depois, os outros...»
«Claro, a serra, a serra é a nossa salvação!»
O ponto E ficava, agora, muito longe, pois tudo se invertera. Deram início à escalada da chamada serra da BOA VIAGEM. Primeiro tiveram que subir a verdadeiros pedregulhos que até pareciam ter sido postos ali com o objectivo de dificultar o acesso à mesma. Eles insinuavam-se como defensores daqueles espaços a todos os que tentavam por ali entrar ou passar.
Como estava difícil transpor tudo aquilo! Como estavam pesadas as suas mochilas! De repente, olharam uns para os outros e lançaram ao mar tudo aquilo que haviam recolhido nas areias da praia. A fome apertava e as forças começavam a faltar.

Uma vez que tinham alcançado uma espécie de varandim rochoso, mas com espaço suficiente, pararam e resolveram comer do que cada um trazia. Que banquete! O mar, visto daquele local fragoso, parecia um manto matizado de múltiplos azuis e salpicado de branco. Os mais afoitos punham à prova a sua coragem, subindo, descendo, num corropio louco.
Paulatinamente, foram subindo as ravinas da serra até alcançarem o topo da montanha. O horizonte marítimo continuava limpo, mas cada vez mais longe, porque tinham-se afastado. Agora, havia que recuperar o tempo perdido e descer até encontrarem o ponto E. Prosseguiram, durante algum tempo, pela estrada dita asfaltada, mas tão esburacada! Mais buraco, menos buraco; mais torcidela de pé, menos torcidela de pé, lá chegaram, já a tarde ia quase a meio.
«Eis-nos chegados!»
«Ao mar!





 E todos, sem excepção, se lançaram numa correria desenfreada em direcção às águas revoltas daquele mar que os recebeu com todo o seu carinho. De braçada em braçada, foram indo até ao mais longe que cada um se permitia. Loucos mergulhos!
Afinal, tinha havido uma excepção, sem que o chefe ou qualquer dos rapazes tivesse reparado que apenas seis cabecitas apareciam à tona da água.
«O outro!?»          
«Onde está?»
E o outro não estava ali.
«O que lhe terá acontecido?»
Bom, rapidamente, deixaram o banho e, todos de cara carrancuda e visivelmente preocupados, precipitaram-se numa procura louca pela praia, pelas ruas, pelos becos...
Ninguém encontrou ninguém. Sem solução à vista, decidiram regressar ao sítio inicial, ao tal ponto E, e, qual não foi o espanto de todos, quando, olhando em direcção ao local onde tinham estado, verificaram que havia uma construção enorme, feita em areia, em forma de muralha de protecção. Aproximaram-se e o que procuravam encontraram.
Aliviados, gritaram - «Raios, quem procura sempre alcança, mas o que estás tu aí a fazer?»
«Como tenho medo do mar, estendi-me aqui, mas esqueci-me das horas».
«Bom...pensávamos que, como és o mais veloz de todos, tivesses cavalgado pelas ondas. Afinal...!»
«Peço desculpa. O miúdo Sete, o mais veloz do que uma seta, não voltará a decepcionar-vos. Prometo».
            Por pouco que a harmonia reinante se ia quebrando.

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