Continuaram até ao ponto D.
Dobraram-no, sem qualquer dificuldade. Num ápice, estavam do outro lado da serra e bem mais próximos do mar imenso que parecia assustar os ditos menos valentes. Só que se esqueceram que, lentamente, a maré foi subindo, enquanto eles se deliciavam com as mais diversas coisitas que se lhe deparavam. Cada um ia metendo na sacola o que mais lhe agradava e esta começava a pesar como chumbo.
Eis que, de repente, o mar marca a sua presença, batendo fortemente nas fragas, impedindo o grupo de prosseguir. Passado que está o instante de desilusão, o chefe reúne todos, e, unanimemente, resolveu alterar a rota, inicialmente traçada.
«Este gigante não podemos vencer, por isso há que tomar outra direcção. Qual?»
«Um vai primeiro averiguar o que está para lá das águas revoltas e, depois, os outros...»
«Claro, a serra, a serra é a nossa salvação!»
O ponto E ficava, agora, muito longe, pois tudo se invertera. Deram início à escalada da chamada serra da BOA VIAGEM. Primeiro tiveram que subir a verdadeiros pedregulhos que até pareciam ter sido postos ali com o objectivo de dificultar o acesso à mesma. Eles insinuavam-se como defensores daqueles espaços a todos os que tentavam por ali entrar ou passar.
Como estava difícil transpor tudo aquilo! Como estavam pesadas as suas mochilas! De repente, olharam uns para os outros e lançaram ao mar tudo aquilo que haviam recolhido nas areias da praia. A fome apertava e as forças começavam a faltar.
E todos, sem excepção, se lançaram numa correria desenfreada em direcção às águas revoltas daquele mar que os recebeu com todo o seu carinho. De braçada em braçada, foram indo até ao mais longe que cada um se permitia. Loucos mergulhos!
Uma vez que tinham alcançado uma espécie de varandim rochoso, mas com espaço suficiente, pararam e resolveram comer do que cada um trazia. Que banquete! O mar, visto daquele local fragoso, parecia um manto matizado de múltiplos azuis e salpicado de branco. Os mais afoitos punham à prova a sua coragem, subindo, descendo, num corropio louco.
Paulatinamente, foram subindo as ravinas da serra até alcançarem o topo da montanha. O horizonte marítimo continuava limpo, mas cada vez mais longe, porque tinham-se afastado. Agora, havia que recuperar o tempo perdido e descer até encontrarem o ponto E. Prosseguiram, durante algum tempo, pela estrada dita asfaltada, mas tão esburacada! Mais buraco, menos buraco; mais torcidela de pé, menos torcidela de pé, lá chegaram, já a tarde ia quase a meio.
«Eis-nos chegados!»
«Ao mar!
Afinal, tinha havido uma excepção, sem que o chefe ou qualquer dos rapazes tivesse reparado que apenas seis cabecitas apareciam à tona da água.
«O outro!?»
«Onde está?»
E o outro não estava ali.
«O que lhe terá acontecido?»
Bom, rapidamente, deixaram o banho e, todos de cara carrancuda e visivelmente preocupados, precipitaram-se numa procura louca pela praia, pelas ruas, pelos becos...
Ninguém encontrou ninguém. Sem solução à vista, decidiram regressar ao sítio inicial, ao tal ponto E, e, qual não foi o espanto de todos, quando, olhando em direcção ao local onde tinham estado, verificaram que havia uma construção enorme, feita em areia, em forma de muralha de protecção. Aproximaram-se e o que procuravam encontraram.
Aliviados, gritaram - «Raios, quem procura sempre alcança, mas o que estás tu aí a fazer?»
«Como tenho medo do mar, estendi-me aqui, mas esqueci-me das horas».
«Bom...pensávamos que, como és o mais veloz de todos, tivesses cavalgado pelas ondas. Afinal...!»
«Peço desculpa. O miúdo Sete, o mais veloz do que uma seta, não voltará a decepcionar-vos. Prometo».
Por pouco que a harmonia reinante se ia quebrando.



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