sábado, 20 de agosto de 2011

Os Sete Magníficos...(continuação)


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O cansaço e o sono começavam a fazer com que o grupo entrasse numa sonolência nada recomendável, porque ainda havia muita noite para passar e o combinado era ninguém adormecer.
            Depois de um intervalo silencioso, resolveram que cada um contasse a história do seu nome de guerra, aquele pelo qual era conhecido pela sua tribo, visto que as adivinhas tinham cumprido o seu papel.
            O Um contou que chamavam-no assim, porque na escola, durante as aulas de todas as disciplinas ele, embora aparentemente distraído, apanhava todos e as suas matérias estavam sempre em dia.
            O Dois alegrava sempre as manhãs tristes de todos, nem que tivesse de sorrir por dois ou mesmo pelo grupo.
            O Três, evidentemente, prendia-se com a sua malandrice exagerada, com uma preguiça que fazia parte dele, que o invadia, que chegava mesmo a visitar os seus sonhos, aconselhando-o a permanecer na cama para lá do razoável. Quando entrava na sala de aula, não lia, treslia.
            O Quatro era aquele rapaz divertido, sempre pronto a equilibrar-se, mesmo nos momentos mais embaraçosos da sua vida e na dos outros. 
            O Cinco recordou que, como era tão distraído e quase nenhuma massa cinzenta parecia possuir, os colegas gostavam de o comparar a um cinto.
            O Seis, porque estava sempre pronto a resolver todos os enigmas, todos os problemas.
            O Sete, de tão ágil e agitado que era que os comparsas nunca sabiam onde ele estava. Era veloz em tudo: no pensamento e na corrida.
O sol começava a raiar no horizonte e os SETE deram um salto de um tal tamanho que, quase de imediato se levantaram, acomodaram as coisas dispersas e toca a andar à procura de uma saída daquele labirinto de giestas e muitas coisas mais que não conheciam.
O nevoeiro fora-se e a angústia da noite transformara-se em esperança.
Não foi preciso percorrer uma grande distância, para que dessem conta que estavam muito próximos de uma das estradas asfaltadas que ligava Quiaios à Serra da Boa Viagem.
Os pais tinham pernoitado, no final de um canavial, com o intuito de os interceptarem, logo de manhã, no exacto momento da saída da verdadeira armadilha em que tinham caído.
            Embora atordoados pelo que de muito excitante lhes acontecera, nada deixaram transparecer, pois dos fracos não reza a história. Eles eram, sim, vencedores.     











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