Ao longo de toda
a minha prática pedagógica e do contacto directo com os alunos, descobri que o
que os conduz, quase sempre, ao sucesso é a motivação, é o estarem
motivados para aprenderem, para se aperfeiçoarem, para vencerem a inércia de um
quotidiano tão cheio, tão preenchido por outros interesses, bem mais
aliciantes. Teremos, pois, que transformar o estudo numa das
fontes de motivação, criando condições que favoreçam essa necessidade de
aprender, pois “ o aluno só se implica na situação educativa se for seu
interesse pessoal atingir esse objectivo “.
Segundo
Ana Margarida Veiga Simão “ A Escola tem de promover uma nova atitude,
ensinando procedimentos de ordem superior que permitam ao estudante elaborar e
organizar os seus conhecimentos “ para que não mais haja um desfasamento
entre o que se aprende e a vida, como acontece no poema de Jacinto de
Magalhães:
Ensinaram-me as coisas
importantes.
Que afinal o não eram.
Acumularam-me de
conhecimentos.
De que ainda me liberto.
Ditaram-me nos cadernos de
duas linhas.
Os exemplos que procuro não
seguir.
Fizeram-me ler as histórias
de santos, sábios e heróis.
Que eu não quero ser nem
imitar.
Aprendi a geografia dos
comboios.
Para viver na era dos
aviões.
Soube de cor todas as
constelações.
Que hoje se escondem no fumo
das cidades.
Ensinaram-me a pescar nos
rios e regatos.
Em que bóiam as garrafas de
plástico.
Quando eu sabia tudo.
Atiraram-me para a vida, de
que eu nada sabia.
E onde era tudo ao contrário
do que aprendera.
Habituei-me a raciocinar
pelo contrário.
Não era infeliz, era
desarmado.
E tive, de aprender, de
novo.
Tudo o que não me haviam
ensinado.
E que eu quereria não ter
aprendido.
Verifica-se
que este aprendiz não foi o “ verdadeiro actor do processo de
ensino-aprendizagem ”. Nesta leitura do processo, urge que a educação
formal promova nos alunos estratégias de auto-regulação da sua
aprendizagem. Estas competências são consideradas fundamentais, não só para os
alunos guiarem a própria progressão na escola educativa, mas também para
assegurar a continuidade formativa após a sua saída do sistema educativo,
promovendo que os alunos aprendam efectivamente a aprender (Zimmmerman e Shunk,
1998; Booekaerts et al., 2000).
Ao
apropriar-me de algumas leituras, sou levada a concluir que não só o aluno tem
de mudar de atitude face ao seu percurso de aprendizagem, mas também os
professores, a escola, a família, toda a comunidade educativa. O envolvimento é
de todos para que todos possam contribuir para termos melhores alunos, mais
capazes e aptos a resolverem questões pontuais relacionadas com as suas
aprendizagens, com as suas tomadas de decisão.
Poderá
o Estudo Motivado ajudar nesta tarefa?
Luisete Baptista