quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O silêncio

O silêncio é talvez o espaço de tempo mais enigmático nas coordenadas da vida! Ao existir, pode querer traduzir ausência, vazio...e não só! Pode ser apenas momento de reflexão! Momento de pausa! Momento de encontro! Momento de gritar! Momento precário! Momento fugaz! Momento de desejar a toda a minha família e amigos uma época vivida debaixo de felicitações mais ou menos eufóricas, mas inteligentes e sinceras. Desta feita, dispensei todos os enfeites natalícios para ser coerente com este momento.
Um abraço forte para todos!!
Luisete
FOTO DE SÉRGIO BAPTISTA...

domingo, 21 de outubro de 2012

“Imbondeiro”

Acróstico 




I a a caminho da savana
M  as encontrei total destruição
B arros, lamas, troncos
O meu corpo esventrado
N ão consegue mais brigar
D estino melhorar
E  só…
I nverter a curva da vida
R espirar fundo
O mal da devastação


Luisete Baptista
F.F. 18/out/2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Folia Joanina


         Esta Cidade da Foz
         Tem Santo de devoção
         E convida todos vós
         Para a festa de S. João

         Lá pelo imenso areal
         Reina grande confusão
         Fogueiras crepitam como tal
         Crianças dançam a canção

         Balões esvoaçam pelo ar
         Mostrando ao mundo seu ofício
         A todos querem anunciar  
         Venham ver o fogo-de-artifício 

                      Luisete Baptista

terça-feira, 27 de março de 2012

FIGUEIRA DA FOZ


           

            Figueira da Foz
           Da foz do rio Mondego
           Do rio que se lança no Oceano
           Oceano da minha imaginação
           Da minha imaginação que se envolve
           Que se envolve nas vagas
 Nas vagas que fustigam
 Que fustigam as paredes do paredão.
          Luisete Baptista
          Fig. Foz, 95

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ENVOLVÊNCIAS






 M eu girassol castanho


U m par de dança descobre no
L imiar do pôr-do-sol
H ouve tamanhas



E NVOLVÊNCIAS






R odopios, voluteares…
…………………
…………………
………………
E NVOLVÊNCIAS


Luisete Baptista (Fev. 2012)


sábado, 18 de fevereiro de 2012

E o Amor?



Comprei água
Comprei vinho
Comprei o tudo que havia
Na loja do vendedor.
Só não comprei amor
Porque o amor não se vende
Nas esquinas, nos botequins
Nos espaços vazios, no tempo parado
Do coração humano que não ama.

Perguntaram-me o que comprei
Na loja do vendedor
Mandei-o lá ir
Para encontrar o que eu não encontrara
Ele foi
Encontrou os preços marcados
Nas coisas que havia para vender
Coisas e loisas que o homem traz para casa
Para consumir, destruir, abandonar.


E o Amor?
O Amor não se vende
Nas esquinas, nos botequins
Nos espaços vazios, no tempo parado
Do coração humano que não ama.


Maria Luisete Cardoso Baptista

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Pôr-do-sol


Pôr-do-sol
Sempre acontece
Aqui
Ali
Lá...

Pouco interessa

Outros houve
Outros ficaram
Outros bailam
Nas cores quentes
 Da aguarela
Da minha imaginação


Luisete Baptista





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Balada de Neve



Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.


                                                                                                         Augusto Gil

                                                           ACRÍLICO SOBRE PAPEL
                                                     ACRÍLICO SOBRE PAPEL

"Ensinaram-me as coisas importantes"


Ao longo de toda a minha prática pedagógica e do contacto directo com os alunos, descobri que o que os conduz, quase sempre, ao sucesso é a motivação, é o estarem motivados para aprenderem, para se aperfeiçoarem, para vencerem a inércia de um quotidiano tão cheio, tão preenchido por outros interesses, bem mais aliciantes. Teremos, pois, que transformar o estudo numa das fontes de motivação, criando condições que favoreçam essa necessidade de aprender, pois “ o aluno só se implica na situação educativa se for seu interesse pessoal atingir esse objectivo “.
            Segundo Ana Margarida Veiga Simão “ A Escola tem de promover uma nova atitude, ensinando procedimentos de ordem superior que permitam ao estudante elaborar e organizar os seus conhecimentos “ para que não mais haja um desfasamento entre o que se aprende e a vida, como acontece no poema de Jacinto de Magalhães:

Ensinaram-me as coisas importantes.
Que afinal o não eram.
Acumularam-me de conhecimentos.
De que ainda me liberto.
Ditaram-me nos cadernos de duas linhas.
Os exemplos que procuro não seguir.
Fizeram-me ler as histórias de santos, sábios e heróis.
Que eu não quero ser nem imitar.
Aprendi a geografia dos comboios.
Para viver na era dos aviões.
Soube de cor todas as constelações.
Que hoje se escondem no fumo das cidades.
Ensinaram-me a pescar nos rios e regatos.
Em que bóiam as garrafas de plástico.
Quando eu sabia tudo.
Atiraram-me para a vida, de que eu nada sabia.
E onde era tudo ao contrário do que aprendera.
Habituei-me a raciocinar pelo contrário.
Não era infeliz, era desarmado.
E tive, de aprender, de novo.
Tudo o que não me haviam ensinado.
E que eu quereria não ter aprendido.

            Verifica-se que este aprendiz não foi o “ verdadeiro actor do processo de ensino-aprendizagem ”. Nesta leitura do processo, urge que a educação formal promova nos alunos estratégias de auto-regulação da sua aprendizagem. Estas competências são consideradas fundamentais, não só para os alunos guiarem a própria progressão na escola educativa, mas também para assegurar a continuidade formativa após a sua saída do sistema educativo, promovendo que os alunos aprendam efectivamente a aprender (Zimmmerman e Shunk, 1998; Booekaerts et al., 2000).
            Ao apropriar-me de algumas leituras, sou levada a concluir que não só o aluno tem de mudar de atitude face ao seu percurso de aprendizagem, mas também os professores, a escola, a família, toda a comunidade educativa. O envolvimento é de todos para que todos possam contribuir para termos melhores alunos, mais capazes e aptos a resolverem questões pontuais relacionadas com as suas aprendizagens, com as suas tomadas de decisão.
            Poderá o Estudo Motivado ajudar nesta tarefa?




                                                                                              Luisete Baptista

PROFESSOR HOJE


É o animador vertical e horizontal da sala de aula.
É o despertador das consciências adormecidas, mas não mortas, dos que aprendem.
É o encorajador do processo ensino-aprendizagem, quando este tende a resvalar para o insucesso.
É o inovador, uma vez que introduz mudanças e inovações no sistema.
É o renovador, uma vez que insuflama algo de novo ao que já existe.
É o comunicador do novo discurso pedagógico.
É o criador de novas situações que levam ao despertar do espírito criativo dos alunos.
É o motivador, visto introduzir motivação no espaço-aula para que o processo ensino-aprendizagem caminhe alegremente.
É o artista, uma vez que transmite emoção no que ensina e transforma a sua disciplina
em prazer (aspecto lúdico).
É o jogador que estabelece com os outros regrais a cumprir.
É o que dialoga e estabelece com os alunos um diálogo criativo.
É o que questiona quando algo de diferente surge à sua volta.
É o que comunica conteúdos e esquemas operatórios.
É o facilitador de situações de aprendizagem.  
É o avaliador.
É um ser em transformação.
É ser e estar ...
                                                                                       Luisete Baptista

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

“ DESPE-ME “ de Paula Pereira

O que mais me surpreende na poesia é o eterno constatar de que o sentimento e a música andam de mãos dadas a fim de constituírem um corpo harmonioso, que é, em última análise, o próprio poema ou, porque não, qualquer pedaço de prosa. Por isso, segundo João de Melo, “...todo o poema é ao mesmo tempo dor e canção, desamparo e amor, solidão e solidariedade, desespero e esperança, escuridão e alarido - e há sempre um lado simultaneamente nocturno e diurno naquele que escreve o poema. (...) a poesia é um trabalho da sensibilidade e do ouvido...” (fim de citação). Sendo assim, o poeta é um ser privilegiado, porque é capaz de escutar as suas vozes interiores e também as do mundo exterior, as do outro ou dos outros. O poeta tem causas a defender que vão do “amor à amizade, da vida à morte, do júbilo à dor, da indignação à revolta, da rua e da casa e da casa do poeta à morada universal da humanidade inteira “(in João de Melo). “DESPE-ME” de Paula Pereira encaixa nesta minha reflexão inicial, já que, desde o primeiro ao último poema há como que um exteriorizar, um sair de si para o outro ou para um outro, aquele “tu” que dialoga ao longo de toda a obra com o sujeito poético, o “eu” transformado em poesia. São vários os despires deste “eu”, ora demasiado atormentado, ora demasiado apaziguado, nesta mundividência poética abraçada com paixão ao longo de todos os poemas. Desde o primeiro texto que se denuncia a presença de um quase contar, narrar em verso o que de muito fluido, arrasador e plasmado vai na alma da poetisa, melhor dizendo, na alma deste sujeito poético feminino. O próprio título leva-nos à certeza de que, subjacente a todo este corpo poético, existe um interlocutor escondido, quiçá descoberto, despido em cada poema quando a poetisa o permite. Há, sem dúvida, um “eu” faminto de paixão que não receia a envolvência amorosa até ao paroxismo da sensibilidade, borrifada, porém, por múltiplas imagens e belas metáforas, não permitindo nunca que se caia na vulgaridade. O tal outro/o tu emerge, quase sempre, como depositário do “eu”, qual cofre fechado a sete chaves. Há momentos distintos que, na minha óptica, marcam o crescerem por dentro deste ser: há corpos famintos, mas também “Há sentires sem existência real” (pág.22). O entrelaçar de metáforas eróticas com a limpidez poética dos sentidos é conseguido pela mestria com que trabalha as palavras ricas em sonoridades várias. Caminhando pelas páginas, o “tu” vai executando, meticulosamente, a sua missão, a do título “Despe-me”, a qual pode ser encarada como um convite suave ou como uma onda arrebatadora, sentindo tudo de todas as maneiras (pág.37). Neste aparente desconcerto sentimental, várias vezes nos deparamos com o papel da escrita, da poesia como forma de apaziguamento das dores sentidas (pág.39,40,41). Aqui é o “tu” que solta “...as correntes da poesia.” E “De rabisco em rabisco vou escrevendo” (pág.44) ou vai rabiscando seus desejos, chegando a apelidar de parvo o coração porque “Teima em cultivar ilusões/Teima dar de comer aos sonhos”. E há paisagens a receber este turbilhão: há o pôr-do-sol; há o mar; há a noite; há a praia...etc. Há toda a humanidade para receber as palavras sentidas de Paula Pereira (pág. 87). Finalmente, no poema “ADEUS”, sugere-se que não houve adeus e “...os sentimentos sentidos ontem” parecem apaziguados pelo passar do tempo. Porém, o vivido por este sujeito e por este “tu” ocupará um “ outro lugar” dentro da memória sentimental do “eu. Nada consegue deter o AMOR. Eis aqui erecções de sentimentos; sensualidades quentes; tempestades de inquietações; beijos vigorosos; viagens inauditas; corações suicidas; gritos; egoísmos; invejas; medos; etc, etc. Agora, rapidamente, tenhamos coragem para substituir o título “DESPE-ME por “LEIA-ME”.
 Fig. Foz, 9/02/2008 Maria Luisete S. C. Baptista

sábado, 28 de janeiro de 2012

“Dans les forêts de Sibérie” Sylvain Tesson

Narrativa de viagem, diário de um viajante deste nosso jovem século XXI, entrelaçar de múltiplos conhecimentos que se intersectam com descrições dos locais visitados, com reflexões, com recordações, com memórias, com leituras quotidianas. Cabana, local de todos os encontros, interiores e ou exteriores, desprendimentos, deixares civilizacionais com o objectivo de redescobrir a essência da Existência, da vida em comunhão perfeita com a natureza agreste e agressiva do lago Baïkal, onde o elemento vital água assume o papel regenerador, de esperança. O tempo, com as suas manhas e as suas marcas, conduz a narrativa desde o seu início, recordando a todos a precariedade e a efemeridade do COSMUS. Abordagem das velhas dicotomias campo/cidade; mundo civilizado/ mundo selvagem; barulho/silêncio; paz interior/ paz exterior. Estilo marcado por uma sensibilidade artística, evidenciado nas muitas imagens, nas muitas metáforas criadas à volta da paisagem visitada.