segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Mulemba


            Constituiria um lapso da minha parte, se me esquecesse de mencionar alguns dados interessantes relacionados com esta espécie de grande figueira de Angola, de frutos comestíveis e raízes medicinais, vulgarmente chamada Mulemba.

                Esta permanece no imaginário de quantos viveram longos anos naquele espaço e é objecto de quase culto dos seus habitantes. No exacto momento da escrita de este conto, recordei como era hábito os mais velhos reunirem-se sob a sua copa larga e densa para discutirem e resolverem os problemas das suas gentes. Consideram-na a árvore dos antepassados. Então, descansar à sua sombra é, não só recuperar forças perdidas, mas também Ter a possibilidade de se sentir ligado àqueles por um qualquer fio invisível.

            Igualmente, alguns poetas não a esquecem e lhe dedicam poemas como! A Mulemba Secou” de Aires de Almeida Santos, autor angolano benguelense.
            “A Mulemba”, esta, é um conto infanto-juvenil que surge no exacto momento em que resolvi reconciliar-me com esse meu passado africano, desafiando a minha imaginação. Faço-o, na convicção de que vale apenas dar a conhecer, às nossas crianças, pequenos leitores-ouvintes ou já verdadeiros leitores, outras peripécias, outras histórias, outros espaços, outras vivências que servem, de forma aglutinante, o passado e o presente.
            Não deixa de ser, antes de mais, um conto de embalar para ser lido pela mãe, na hora do aconchego nocturno, ou pela própria criança-leitora. Ao dedicá-lo a todas as mães e não às crianças, tem a ver com o papel primordial das mesmas ou quem estiver no seu lugar, no processo de crescimento. A narradora é uma mãe que, depois de descobrir o poder encantatório das suas narrativas, resolve contá-las ao seu filho João para que este adormeça. Ele deixa-se cativar pela heroína que se vagueia pelos seus sonhos.
            Esta narrativa destina-se a todos os leitores de todas as idades, já que é sempre bom ler, reler, sonhar e fantasiar amando, assim, estes nossos companheiros, os livros.
            Então, deixem-se envolver por esta menina que, ao ver-se forçada a partir, ausentando-se da sua Mulemba, entristece, acontecendo o mesmo à sua amiga tão especial.
            Mas crescer dói!

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