“ O Moleque das Barrocas “
Palavras e ilustrações juntaram-se para dar corpo a este novo desafio. “O Moleque das Barrocas “ insere-se no mesmo projecto do 1º título “ A Mulemba “ de recriar vivências e espaços diferentes daqueles que, comummente, as nossas crianças-leitoras conhecem.
O conto é, por definição, um relato pouco extenso, enraizando-se em ancestrais tradições culturais que sustentavam um auditório fisicamente presente. Daí o tropeçarmos, quase obrigatoriamente, com a expressão, tão nossa conhecida “Era uma vez...”, deixando-nos conduzir por ela para o tal mundo da imaginação, da criatividade...
Apesar de esta fórmula nunca ser utilizada neste conto, está, no entanto subjacente a todos os inícios/começos, quando a mãe se senta junto ao filho, assumindo o papel de narradora de histórias, localizado num tempo indeterminado, não definido. O receptor, ouvinte primeiro daquelas, é o filho João que, fisicamente, está ali tão perto, tão pronto a ouvir o que se passou algures. É como se se tratasse de uma cena em que duas personagens dialogam no palco da vida.
Por opção, ao invés de introduzir qualquer verbo declarativo para operar a mudança de nível discursivo, a autora optou por deixar apenas as falas do João em itálico.
Ao passar para o segundo nível da história, todas as peripécias se centram à volta de um personagem principal, também ele de nome João, localizando-se todas elas, no passado. Este presentifica-se, não só para saciar a curiosidade do João, mas também para lhe ensinar que ser criança é igual em todas as latitudes.
O segredo e a amizade espraiam-se por todo o tecido narratológico e, num verdadeiro jogo de ocultação e desocultação, os personagens vão resolvendo os seus problemas quotidianos, vão crescendo, vão deixando de ser meninos.
E estarão por aí, por ali, por acolá, talvez recordando o sabor agridoce da amizade.
Mais uma vez, muito obrigada a todos.
Galeria Magenta/Março.2007
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