"…confluências…" são pingos de luz arrancados ao meu quotidiano esfarelado e deixados, ao acaso, escondidos num local sensível, até ao exacto momento em que se fundiram com as ceras, com os óleos, com os acrílicos e se fixaram, para sempre, em cada um dos suportes que, tão generosamente, os receberam, dando-lhes aconchegos.
"…confluências…" são linhas pictóricas que se cruzam e descruzam num movimento constante de cores fortes, de outras menos fortes para que se transfigurem em matéria visual.
"…confluências…"são recriações neste constante confluir de ideias, de técnicas mais antigas que se cruzam com a modernidade, quer a nível das temáticas abordadas, quer a nível dos materiais utilizados.
"…confluências…"são tentativas de encontros capazes de fundirem os tempos, provando que nada se inventa, tudo se recria.
"…confluências…"são trabalhos em encáustica aplicada em múltiplos suportes (vidro, madeira, chacota, tela, seda, tecido), tendo por objectivo mostrar como aquela envolve os nossos sentidos: o olfacto, o tacto, a visão, numa autêntica sinestesia. A sua versatilidade permite transparências, texturas, densidades, ricas veladuras, relevos e sobreposições, podendo ainda ser misturada com outras técnicas.
"…confluências…"são narrativas que se juntam nesta sala com o fim último de comporem o ramalhete desta minha, vossa exposição, já que eu fiz metade da viagem, cabendo, agora, a cada um de vós, a outra metade. Trata- se de um acto criativo, não de um acto isolado. Há cúmplices!
"…confluências…"são livros escritos e ilustrados a convidarem um desfolhar, um olhar para o casamento perfeito entre as palavras, as ideias e a ilustração. É um outro ler.
"…confluências…"são diálogos intertextuais,

DOMINGO, 3 DE JULHO DE 2011
ResponderEliminar“Confluências...” - Mostra de pintura, de Maria Luisete Baptista, na Galeria Magenta da Figueira da Foz, de 06/18 a 2011/07/01.
Estive no ato da inauguração mas prometi regressar num dia mais calmo. Assim aconteceu em 07/01, acompanhado de minha mulher. O título da Exposição sugere que se trata de uma produção artística, na qual confluem múltiplas variáveis que englobam a experiência vivida, a idiossincrasia [nomeadamente o potencial de criatividade artística], as intertextualidades culturais conservadas ao longo da existência da Artista... Maria Luisete ofereceu-se espontaneamente para ser a nossa “cicerone”. Com natural senso pedagógico, começou por uma abordagem à técnica pictórica dominante na Exposição que dá pelo nome de “Encáustica”, cuja origem remonta aos tempos da Antiguidade clássica. Fomos assim introduzidos no maravilhoso universo da Arte. Ao longo da visita, a Pintora teve o cuidado de, a par e passo, ir dando as “dicas” estritamente necessárias ao processo de purificação sensorial - fase absolutamente necessária à fruição espiritual da Beleza em si. Como por magia, o nosso espírito foi penetrando no mundo poético/onírico e fantasmagórico de formas cromáticas de rara beleza, aparentemente/intencionalmente desordenadas/ambíguas, em ordem a proporcionar o olhar interativo do observador no ato de contemplação da obra artística de Maria Luisete Baptista. Bem haja, Cara Amiga, por aquele tempo forte de consolação espiritual.
Publicada por João Figueira em 07:37 0 comentários